Imagine um grande tribunal. A cena é sombria, a atmosfera, densa. No banco dos réus, não está apenas uma pessoa, mas a humanidade inteira. Incluindo você. O promotor, com uma montanha de evidências irrefutáveis, apresenta o caso: cada falha, cada erro, cada deslize da vida exposto à luz. A verdade é nua e crua: somos todos culpados. Um silêncio pesado de condenação iminente paira no ar. Tudo parece perdido. Mas então, quando a esperança se esvai, uma voz anuncia uma reviravolta dramática: “Mas agora…”
É com essa poderosa expressão que o apóstolo Paulo nos introduz à boa notícia, ao coração do Evangelho, em sua carta aos Romanos. Ele começa por um veredito que conhecemos bem: “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23). A palavra “pecar” aqui, no grego original, significa “errar o alvo”. Pense numa competição de arco e flecha, onde o alvo é a perfeição absoluta de Deus. Não importa se a sua flecha passou perto ou se sequer saiu do arco; o fato é que ninguém atingiu o centro. Podemos ser pessoas “boas” aos olhos dos outros, mas diante do padrão divino, falhamos. Todos nós, sem exceção, ficamos aquém da glória perfeita de Deus.
Mas o “Mas agora…” nos transporta para o cerne da intervenção divina. Paulo revela: “Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus, à parte da lei, testemunhada pela Lei e pelos Profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que creem. Não há distinção, pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:21-24).
Aqui está a reviravolta mais espetacular da história: Deus, o Juiz perfeitamente justo, oferece uma justiça que não é nossa, mas d’Ele. Ele nos declara “justos” mesmo sendo culpados, não porque fomos bons, mas por um presente imerecido. É como se o Juiz, ao invés de apenas perdoar a dívida impagável do réu, ele próprio provesse o pagamento completo. Isso é a justificação pela graça.
Como essa verdade revolucionária muda a sua segunda-feira de manhã, o seu ambiente de trabalho, a sua família, ou a sua batalha contra a ansiedade? Ela muda tudo!
1. Liberte-se do Peso da Performance: Pare de tentar “ganhar” o favor de Deus com suas boas obras. Você já o tem, de graça, através de Cristo. Isso o liberta para servir por amor, não por obrigação ou medo da punição. Na próxima vez que a culpa tentar aprisioná-lo por uma falha, lembre-se: seu status diante de Deus não depende do seu desempenho perfeito, mas do sacrifício perfeito de Jesus.
2. Combata o Orgulho e a Autossuficiência: Se você já aceitou a justificação pela fé, não há espaço para orgulho espiritual. Reconheça que tudo é um presente imerecido. Isso o tornará mais humilde em suas relações, mais paciente com os erros alheios e mais dependente da provisão divina para cada passo.
3. Viva com Segurança e Gratidão: A justificação gratuita em Cristo é uma base inabalável para a sua vida. A ansiedade sobre o futuro, o medo de não ser bom o suficiente, ou o fardo de um passado doloroso perdem força quando você entende que Deus já o declarou justo. Viva cada dia com a gratidão de quem foi resgatado e liberto, com a segurança de que está firme em Cristo.
4. Estenda a Graça aos Outros: Se você recebeu um presente tão grandioso, como pode reter a graça de quem está ao seu redor? Seja na família, no trabalho ou na igreja, a compreensão da sua própria justificação deve levá-lo a ser mais misericordioso, perdoador e amoroso com as falhas dos outros, sabendo que também você é um beneficiário da graça.
Lembre-se: Deus é perfeitamente justo – Ele não ignora o nosso pecado. Mas Ele também é o Justificador – Aquele que nos declara inocentes por meio do sacrifício de Seu Filho. Ele não apenas perdoou; Ele proveu o preço para o perdão, a “redenção que há em Cristo Jesus”. A cruz de Cristo é o ponto onde a justiça perfeita de Deus e Seu amor infinito se encontram. Ele não minimizou nosso pecado, mas o puniu na pessoa de Jesus, Seu próprio Filho. Assim, Ele pôde ser perfeitamente justo e, ao mesmo tempo, nos justificar pela fé.
Nossa salvação não se baseia em nossa capacidade de nos agarrarmos a Deus, mas na decisão d’Ele de Se agarrar a nós, através do sacrifício perfeito de Jesus. Não é sobre o quão bem você salta, mas sobre o quanto Ele se abaixou para te resgatar. Você foi declarado livre.
Oração:
Senhor, eu te agradeço por essa verdade libertadora. Ajuda-me a compreender mais profundamente a magnitude da Tua graça e justiça. Que eu possa viver hoje e todos os dias livre do peso da culpa e do orgulho, confiando plenamente na justificação que me foi dada por meio de Cristo Jesus. Capacita-me a estender essa mesma graça e amor a todos ao meu redor. Amém.
Fonte: https://estilomix.com